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“Para mim, o ruído do tempo não é triste: gosto dos sinos, dos relógios - e lembro-me de que na origem o material fotográfico dependia das técnicas de marcenaria e da mecânica de precisão: as máquinas, no fundo, eram relógios de ver, e talvez em mim alguém muito antigo ainda ouça na máquina fotográfica o ruído vivo da madeira". 

Roland Barthes, Câmara Clara

Photographic cameras, wrote Roland Barthes, are like “seeing clocks”. This is the leitmotiv for this project. Since the invention of the chemical photographic process that time was one of its factors. Photographic emulsions have limitations in its response to light, forcing the presence of time in the equation. That same equation would eventually alter and mold the way we, viewers, read reality.

This work is a tribute to this role of time, through the creation of images that by themselves work as a testimony of the duration of physical phenomenae, in a way not necessarily figurative and unrelated to the common measure units of time".  

These photographs were shown at Ar.Co School of Art Lisbon.

A fotografia, escreveu Roland Barthes (Câmara Clara) é um "relógio de ver". É deste pressuposto que parte este projecto.Desde que foi inventado o processo fotográfico fotoquímico, o tempo foi sempre um dos seus factores, desde logo porque a sensibilidade das emulsões a isso obrigou, moldando a realidade às próprias limitações do acto de a fixar; e, também, porque rapidamente a fotografia foi entendida como uma visão fiel (o que é discutível) capaz de retalhar o tempo em fatias, cada uma delas com a pretensão de fixar e representar os fenómenos do fluir das coisas.Vários fotógrafos prestaram tributo a esta paternidade do tempo: Sugimoto fotografou filmes inteiros projectados em ecrãs de cinema, comprimindo o tempo diegético numa folha de papel fotográfico; Marey e Muybridge, se calhar sem querer, criaram micronarrativas enquanto desafiavam as limitações da retina humana; David Claerbout gerou imagens que simulam a ideia que temos de omnisciência.Esta é uma homenagem a este protagonismo do tempo, através da criação de imagens que, elas próprias, funcionam como denunciadoras da duração dos fenómenos, de um modo não necessariamente figurativo e não necessariamente sujeito às convencionais unidades de medida de tempo. Fotografias expostas no ar.co - centro de arte e comunicação visual em julho de 2015.

“For me the noise of time is not sad: I love bells, clocks, watches — and I recall that at first photographic implements were related to techniques of cabinetmaking and the machinery of precision: cameras, in short, were clocks for seeing, and perhaps in me someone very old still hears in the photographic mechanism the living sound of the wood.” 

*roland barthes, camera lucida: reflections on photography